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Inflação = Mais Pobreza (E a Culpa é dos Governos)



A taxa anual de inflação ao consumidor da zonaeuro foi de 7.4% em abril de 2022 ( em Portugal, a taxa também foi de 7.4%) e os preços ao produtor industrial na zona euro tiveram um aumento anual de36.8% em março de 2022 (em Portugal, o aumento foi de 30.9%). Os governos dizem que este grande aumento dos preços é devido à invasão daRússia a Ucrânia (sefossem honestos, diriam que é devido às sanções impostas à Rússia, que nãofuncionam para combater o governo russo e só prejudicam os cidadãos comunsdentro e fora da Rússia). Mas isto é só uma desculpa para não admitirem a culpa. Éclaro que esta invasão é uma influência, pois eliminou a oferta de diversosbens e serviços, o que acaba por fazer aumentar os preços. Porém, a taxa deinflação ao consumidor e os preços ao produtor industrial já estavam a aumentar desde 2021.


Os confinamentos de 2020 e 2021 também foramum grande fator, mas o verdadeiro motivo pelo qual os preços estão a aumentar éa inflação monetária (o aumento da quantidade de dinheiro) criada pelosgovernos da zona euro através do Banco Central Europeu (BCE). Veja detalhes aqui e aqui). O M2 (que é o agregado monetário que inclui o dinheiro que realmente circulana economia, e que, consequentemente, é o tende a aumentar a taxa de inflaçãoao consumidor) da zona euro teve um aumento significativo em 2020 e 2021. Veja detalhes aqui.


Sim, choques de oferta provocam um aumento deDETERMINADOS preços na economia, mas não um aumento generalizado de preços debens e serviços. Se houver um choque de oferta de determinados bens (aumentandoos preços dos mesmos), mas a oferta monetária não se alterar, haverá apenas umnovo equilíbrio de oferta e demanda pelos diversos bens e serviços na economia(já que a oferta monetária é a mesma e os indivíduos terão de alterar aalocação de seu orçamento, fazendo com que os preços dos bens cuja demandadiminua fiquem menores). Uma vez que o choque de oferta destes bens terminasse,a oferta aumentaria e seus preços diminuiriam, alterando mais uma vez oequilíbrio de oferta e demanda (já que não houve um aumento do dinheiro emcirculação). Apenas um aumento do dinheiro em circulação pode fazer TODOS (ouquase todos) os preços da economia aumentarem simultaneamente, pois o valor dodinheiro diminui e são necessárias mais unidades da moeda para pagar pelos bense serviços.


A inflação (o aumento da oferta monetária) e o consequente aumento de preços é um imposto disfarçado. Os governos aumentam seus gastos e seus déficesorçamentários. Desta forma, emitem mais títulos de dívida, que sãomaioritariamente comprados pelo banco central (no caso dos governos da zonaeuro, pelo BCE) através de um aumento da base monetária (M0). Os governos,então, gastam o dinheiro recém-criado, aumentando a quantidade de dinheiro emcirculação na economia (M1 e M2), o que faz com que os preços tendam aaumentar.


Perceba que os governos aumentaram seus gastossem aumentarem os impostos (ou sem aumentarem os impostos na mesma proporção).O custo do aumento destes gastos foi pago pela população (nada do governo égratuito; nem mesmo para os pobres, que são os que mais sofrem devido aosimpostos, pois seus rendimentos são menores) não por impostos, mas pelo aumentodos preços que ocorreu devido à inflação.


Note que o endividamento do governo, por sisó, não é inflacionário. Caso os títulos de dívida sejam todos absorvidos pelomercado (por investidores e instituições financeiras) nenhum dinheiro é criadodo nada. Porém, mesmo neste caso, há danos para a economia pois o governo, aoendividar-se, apropria-se de recursos que poderiam ser utilizados parainvestimentos produtivos (que poderia aumentar a produtividade das empresas ediminuir os preços). Além disto, o endividamento do governo também implica emcustos com juros. Para pagar os juros (que tendem a aumentar conforme a dívidacresce), os governos geralmente aumentam impostos e/ou endividam-se ainda mais.O custo com os juros representa mais recursos que são expropriados da economia pelogoverno.


A inflação prejudica todos, sobretudo ospobres e a classe média baixa (que possuem recursos mais limitados). Devido aoaumento dos preços, inevitavelmente, os indivíduos deverão realizar cortes noorçamento, comprando menos bens e serviços. O padrão de vida diminui. Na melhordas hipóteses, os indivíduos não fazem cortes no orçamento, mas poupam menos doque antes do aumento de preços (aqueles que tinham condições de o fazer).


Os pobres e a classe média baixa também sãomais pesadamente afetados pois, devido ao aumento de preços, a classe médiaalta e os ricos (que têm rendimento suficiente para não precisarem realizarcortes no orçamento) acabam por poupar e investir menos. Se há menosinvestimentos na economia, a produtividade não aumenta (ou até diminui) e ospreços tendem a aumentar a médio e longo prazo.


Mas até mesmo os ricos e a classe média altapodem ser pesadamente afetados pelo aumento de preços causado pela inflação.Imagine, por exemplo, uma empresa de retalho. Se os preços aumentam, osindivíduos (nomeadamente os pobres e a classe média baixa, que são maioria) vãodeixar de comprar certos produtos (afinal, o rendimento deles não é alto osuficiente para se darem ao luxo de não o fazerem). Portanto, mesmo com ospreços a aumentarem, o lucro da empresa diminui (ou a empresa chega a terprejuízo), considerando também que, devido à inflação, os custos dos produtorese da empresa de retalho aumentam. É isto o que está a acontecer, por exemplo,com a Target nos EUA, que está a registar uma queda dos lucros. Os donos das grandes empresas deretalho e de empresas produtoras dos bens passam a ter lucros menores ouprejuízos, e os investidores e as instituições financeiras que investem nasações destas empresas ficam com um património menor (pois as ações passam avaler menos e as empresas – aquelas que o fazem – tendem a pagar menosdividendos ou até suspender o pagamento dos mesmos).


Portanto, todos ficam em pior situação devidoà inflação gerada pelos governos. Mas são os pobres e a classe média baixa sãoos mais baleados.


Os governos adoram dizer que ajudam os pobres.Mas são justamente os pobres que mais arcam com o custo dos governos (impostos,endividamento, regulações e inflação). Afinal, a classe média alta e os ricospodem recorrer a advogados, contabilistas e agências de consultoria fiscal paraalocarem seu património de maneira a pagarem menos impostos (tudo dentro dalegalidade). E ainda bem que o fazem (se não, haveria menos investimentos naeconomia e os preços seriam ainda maiores). Podem também, por exemplo, comprarmuito ouro, realizar investimentos em ativos precificados em moedas que sãomenos inflacionadas, ou recorrer a quaisquer outras formas de proteção depatrimónio. Portanto, são os mais pobres que pagam pelo governo. É justamentepor culpa dos governos que os pobres, na maioria dos casos, não conseguemenriquecer. São os governos que perpetuam a pobreza, justamente para justificarsua existência ao fingirem que ajudam os pobres.


Se não houvesse a inflação monetária criadapelos governos, os preços tenderiam a diminuir confirme a produtividade da economiaaumentasse, e o padrão de vida aumentaria. 

 


André Marques        

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