Em novembro de 2021, a dívida pública portuguesa na ótica de Maastricht sofreu uma diminuição de € 1.4 mil milhões em relação a outubro, atingindo € 269.8 mil milhões (ainda acima do nível pré-pandêmico de255.4 em fevereiro de 2020). A dívida pública na ótica de Maastricht é formada por três componentes: numerário e depósitos constituídos junto das administrações públicas (como os certificados de aforro ou do Tesouro); títulos de dívida emitidos pelas administrações públicas (como obrigações e bilhetes do Tesouro); empréstimos obtidos pelas entidades da administração pública.


Já a dívida na ótica de Maastricht líquida de ativos em depósitos das administrações públicas sofreu um aumento de € 291.7 milhões em relação a outubro, atingindo € 251.5 mil milhões.

Figura 1 – Evolução Mensal da Dívida Pública Portuguesa, em Milhões de Euros (2016-2021)

Fonte: Banco de Portugal.

De acordo com o Banco de Portugal, a diminuição da dívida pública na ótica de Maastricht deveu-se a amortizações de títulos de dívida no valor de € 1.6 mil milhões. Considerando o aumento de € 144.62 milhões do componente Numerários e Depósitos, e o aumento de € 17.03 milhões do componente Empréstimos, a dívida pública na ótica de Maastricht sofreu uma diminuição líquida de cerca de cerca de € 1.4 ml milhões.

Figura 2 – Variação Mensal da Dívida Pública na Ótica de Maastricht por Componentes, em Milhões de Euros (2019-2021)

Fonte: Banco de Portugal.


A dívida pública portuguesa em percentagem do PIB diminuiu ao longo de 2021, atingindo 130.9% em setembro. Em 2020, a dívida pública fechou em 133.6% do PIB, um grande aumento comparado aos 116.8% do PIB em 2019.

O Banco de Portugal também publicou dados sobre o endividamento do setor não financeiro em Portugal, que sofreu um aumento de € 1.1 mil milhão em relação a setembro, atingindo € 765.6 mil milhões. O setor não financeiro engloba os setores institucionais das administrações públicas, empresas (sociedades não financeiras) e particulares (famílias e instituições sem fim lucrativo ao serviço das famílias).

O endividamento do setor público (administrações públicas e empresas públicas) sofreu um aumento de € 100 milhões, atingindo € 345.3 mil milhões. Esta subida resultou, sobretudo, do crescimento do endividamento perante o setor financeiro e as administrações públicas (€ 1.9 mil milhões e € 300 milhões, respetivamente), que foi compensado pela diminuição do endividamento junto ao exterior (€ 2.2 mil milhões).

O endividamento do setor privado (empresas privadas e particulares) sofreu um aumento de € 1 mil milhão, atingindo € 420.3 mil milhões. O endividamento das empresas privadas sofreu um aumento de € 600 milhões. Este crescimento deveu-se, sobretudo, ao financiamento obtido junto do exterior, que foi em parte compensado pela redução do endividamento perante o setor financeiro. O endividamento dos particulares subiu € 400 milhões e resultou no incremento do endividamento em relação ao setor financeiro.

Figura 3 – Endividamento do Setor não Financeiro por Setor Devedor, em Milhões de Euros (2020-2021)

Fonte: Banco de Portugal.


Em outubro de 2021, o endividamento total das empresas privadas sofreu um aumento de 2.4% em relação a outubro de 2020 e um aumento de 0.6% em relação a setembro de 2021.

 

Figura 4 – Taxa de Variação Anual do Endividamento das Empresas Privadas (2016-2021)

Fonte: Banco de Portugal.


Já o endividamento total dos particulares sofreu um aumento de 3.2% em outubro de 2021 (em relação a outubro de 2020) e um aumento de 0.1% em relação a setembro de 2021.

Figura 5 – Taxa de Variação Anual do Endividamento dos Particulares (2016-2021)

Fonte: Banco de Portugal.

André Marques