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Daniel Lacalle | A Inflação Está a Matar a Recuperação Económica



Nesta semana, a Ned Davis Research publicouuma nota intitulada “Afinal, parece que o crescimento foi transitório – ainflação é mais rígida”.Muitos são osfatores que nos mostram que os consumidores e os salários estão sendo corroídospela inflação, levando a uma interrupção abrupta da recuperação económica. Asvendas de automóveis e casas novas despencaram, a renda pessoal real disponíveldespencou e o crescimento real dos salários médios é menor do que a inflação.


Os formuladores de políticas pressionaram ainflação a qualquer custo com a política monetária mais agressiva em décadas efoi necessária uma recuperação normal após a reabertura das economias paraprovar que a inflação é sempre um fenômeno monetário: em 2020, os bancoscentrais do G7 aumentaram a oferta de moeda bem acima da demanda e mais rápidodo que nunca desde 2009. Isto levou a picos maciços da inflação em bens eserviços essenciais. A retórica de inflação “transitória” e “interrupções nacadeia de suprimentos” foi rapidamente desmascarada. Vimos três impressões do CPI(Cosumer Price Index – Índice de Preços ao Consumidor) depois que o chamadoefeito de base terminou e os preços continuaram a subir. Além disto, o preçodas commodities onde há excesso de capacidade aumentou tão rápido quanto asoutras. A inflação é cada vez mais dinheiro a correr atrás de ativos escassos epor isto vemos o transporte marítimo ou o alumínio a subir a níveis históricosquando há ampla capacidade no segmento, até mesmo excessiva.


A história monetária mostra que osformuladores de políticas sempre recorrem às mesmas desculpas quando se tratade imprimir dinheiro e má gestão monetária: primeiro, diga que não há inflação;segundo, diga que é transitória; terceiro, culpe as empresas; quarto, culpe osconsumidores pelos gastos excessivos; e, finalmente apresente-se como a“solução” com controlo de preços, o que acaba por devastar a economia.


Nos Estados Unidos, o crescimento médio dossalários foi mais do que compensado pela inflação e, na zona do euro, ocrescimento dos salários despencou em julho. Na verdade, o risco na zona doeuro é maior, já que os salários médios por hora caíram em termos anuais nosegundo trimestre.


Os consumidores veem os preços dos bens eserviços que compram todos os dias subirem significativamente mais rápido doque o CPI oficial mostra e isto, por sua vez, atrapalha a recuperação económicaque deveria vir de um boom de consumo menos do que provável e um aumento deserviços para acima da tendência de crescimento em 2021. Nenhum destes milagreskeynesianos aconteceu.


À medida que os legisladores continuam aimplementar medidas de repressão financeira maciça, o problema provavelmentepiorará no inverno. Nenhum governo ou banco central parece disposto a reduzir avelocidade dos desequilíbrios fiscais ou monetários porque se beneficiam doaumento da inflação. Alguém acredita que haverá políticas fortes para reduzir ainflação por parte dos mesmos bancos centrais que empurraram trilhões para aeconomia para atrair inflação e dos mesmos governos que se beneficiariam com ainflação para dissolver um pouco de sua crescente dívida?


Estamos agora na etapa em que os governosculpam as empresas. Biden culpou o aumento dos preços do gás na “especulação” eum de seus principais assessores económicos no Conselho Económico Nacional,Brian Deese, disse que os preços da carne suína, de frango e bovina subirammais rápido do que o normal porque quatro empresas controlavam o fornecimento.


Na Espanha, o governo culpou os produtoresde eletricidade por um aumento dos preços da energia que veio dos custos maisaltos do CO2 – um imposto do qual os governos europeus arrecadarão cerca de 20 milmilhões/bilhões de euros em 2021. Portanto, o governo estava efetivamente a lucrarcom o aumento dos preços do CO2 e, ao mesmo tempo, a culpar as empresas por isto.Isto também fez parte do acalorado debate na Alemanha. Os preços da energiadispararam devido aos altos preços do gás natural e do CO2, e os partidospolíticos culparam a especulação e as empresas de energia.


Isto é o que provavelmente seráintensificado no terceiro trimestre: os governos culpam as empresas por causara inflação que os formuladores de políticas têm alimentado. Em seguida,apresentam-se como solução e impõem controlos de preços, destruindo o tecidoempresarial, principalmente as pequenas empresas.


As políticas keynesianas sempre destroem oque pretendem proteger. Neste caso, classes médias, salários reais e pequenosnegócios estão a ser dizimados pelo imposto inflacionário e pelo aumento de outrosimpostos, à medida que os governos colhem os benefícios das políticasinflacionárias aumentando o tamanho do setor público (através de déficesorçamentários e de QE).

 

Artigo originalmente publicado no site doDaniel Lacalle.

 

Tradução e edição de André Marques.

 

Autor: Daniel Lacalle é um economista egestor de fundos espanhol, autor dos bestsellers Freedom or Equality (2020), Escape from the Central Bank Trap (2017), e Life in the Financial Markets (2014). É professor de economia na IE Business School em Madrid.


Nota: As opiniões expressas neste artigonão necessariamente vão totalmente de acordo com as da Elementum Portugal e dotradutor/editor deste artigo.

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