O próximo presidente do banco central daRepública Checa (Czech National Bank- CNB), Ales Michl (que assumirá apresidência em julho), disse que pretende aumentar as reservas de ouro do bancocentral em quase 10 vezes durante uma recente entrevista .


O CNB detém atualmente 11 toneladas de ouro.Michl disse que quer aumentar as reservas de ouro para 100 toneladas ao longodo tempo para fins de diversificação. Ele disse que o ouro é bom para adiversificação porque “não tem correlação com as ações”.


Michl está a seguir o exemplo de outros bancoscentrais do leste europeu que aumentaram as reservas de ouro nos últimos anos.


Em outubro do ano passado, o presidente dobanco central da Polónia, Adam Glapinski, anunciou planos de comprar mais 100toneladas de ouro em 2022. Glapiński disse que é uma questão de segurança e estabilidade financeira.


“O ouro manterá seu valor mesmo quando alguémcortar a energia do sistema financeiro global, destruindo ativos tradicionaiscom base em registos contábeis eletrónicos. Claro, não presumimos que istoacontecerá. Mas, como diz o ditado, ‘O prevenido é sempre assegurado’. E obanco central deve estar preparado até mesmo para as circunstâncias maisdesfavoráveis. É por isto que vemos um lugar especial para o ouro em nossoprocesso de gestão de câmbio.”


Ele também menciona as vantagens do ouro comoum ativo monetário:


“… o ouro está livre de risco de crédito e nãopode ser desvalorizado pela política económica de nenhum país. Além disto, éextremamente durável, virtualmente indestrutível.”


E menciona a função de redução de risco:


“O ouro é caracterizado por uma correlaçãorelativamente baixa com as principais classes de ativos – especialmente o dólaramericano, que é predominante na carteira de reservas do NBP (National Bank ofPoland) – o que significa que incluir ouro nas reservas reduz o riscofinanceiro no processo de investi-las.”


Já a Hungria, na primavera de 2021, triplicousuas reservas de ouro, comprando 63 toneladas do metal amarelo, uma das maiorescompras do Magyar Nemzeti Bank (MNB), o banco central da Hungria, em décadas.


Em um comunicado, o MNB chamou o ouro de “um ativo de reserva crucial”.


“Como não traz riscos de crédito ou decontraparte, o ouro facilita o reforço da confiança em um país em todos osambientes económicos, o que ainda o torna um dos ativos de reserva maisimportantes do mundo”.


O banco citou o aumento das dívidasgovernamentais e da inflação ao consumidor em todo o mundo como uma razão paramanter mais ouro.


“O aparecimento de picos globais nas dívidasgovernamentais ou preocupações com a inflação aumentam ainda mais a importânciado ouro na estratégia nacional como um ativo de refúgio e como reserva de valor.”


Globalmente, os bancos centrais adicionaram 83.8toneladas de ouro às suas reservas no 1ºtrimestre deste ano. Em abril, adicionaram 19.4 toneladas.


Os bancos centrais adicionaram 463 toneladasde ouro às suas reservas em 2021. Isto foi 82% superior a 2020.


O ano passado foi o 12º ano consecutivo decompras líquidas. Ao longo deste tempo, os bancos centrais compraram um totallíquido de 5692 toneladas de ouro.


Depois de recordes de compras de ouro porparte dos bancos centrais em 2018 e 2019, houve uma diminuição em 2020, quandoo total de compras foi de 273 toneladas. Em 2019, as compras totalizaram 650.3toneladas; em 2018, 656.2 toneladas. Segundo o WGC, 2018 foi o ano que registoua maior compra de ouro por parte dos bancos centrais desde a suspensão daconvertibilidade do dólar americano em ouro em 1971.



André Marques