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100% de Reservas Bancárias não são Suficientes para Prevenir Ciclos Económicos



Já mencionamos aqui que taxas de juro artificialmente baixas geramciclos económicos e o sistema bancário de reservas fracionárias possui umgrande papel neste processo. Porém, um sistema bancário de 100% de reservas nãoé suficiente para prevenir ciclos económicos. É o que afirma Philipp Bagus,presidente da Elementum Internacional, no seu paper ‘Austrian Business CycleTheory: Are 100 Percent Reserves Sufficient to Prevent a Business Cycle?’Este artigo é baseado nos argumentos feitos pelo autor.


Primeiramente, éimportante explicar o conceito de reservas fracionárias e o básico de seufuncionamento.


1 – A maior parteda oferta monetária não possui lastro (é formada apenas por dígitoseletrónicos). Os bancos (públicos e privados) não possuem reservas suficientespara cobrir tudo o que os clientes depositam em suas contas. A limitação de levantamentos/saquesno Chipre em 2013 éum bom exemplo para ilustrar este conceito.


2 – Quando alguémpede um empréstimo a um banco, este simplesmente adiciona dígitos eletrónicos àconta do cliente. O dinheiro é criado do nada. Assim, os bancos aumentam aoferta monetária.


O que limita(pelo menos um pouco) a quantidade de dinheiro que os bancos podem emprestarsão as reservas compulsórias que os bancos têm de manter no banco central. Asreservas compulsórias variam de um banco central para outro. Quanto maiores asreservas compulsórias, menor é o dinheiro que os bancos têm à disposição para realizarempréstimos (e, portanto, menor é o multiplicador monetário). E a venda detítulos do Tesouro pelo banco central aos bancos contrai a oferta de moeda,aumenta a taxa básica de juros e limita os empréstimos que podem ser feitospelos bancos.


Se as reservasfracionárias não fossem permitidas, os bancos não poderiam emprestar dinheiroque na verdade não possuem (não há reservas suficientes) e teriam de ser maisresponsáveis em relação a todas as suas operações.


Porém, há outrofator importante que merece destaque: a incompatibilidade entre ativos epassivos. Mesmo com 100% de reservas, os bancos podem ter balanços formados porativos e passivos com incompatibilidade de prazos. Eles podem fazer empréstimoscujo vencimento é insuficiente para o devedor pagar a tempo. Se elesconcordarem em renovar o empréstimo, não há problema. Mas se os bancos em geraltiverem uma quantidade significativa de incompatibilidade de vencimentos, podeocorrer um ciclo económico.


Na economia monetária,a poupança tem uma dimensão nominal e uma dimensão de período de tempo. Aprimeira é visível e fácil de identificar. A última depende da preferência temporal que o credor e o devedor têm. Isto é difícilde calcular. As poupanças têm uma disponibilidade limitada no futuro. Se hámuitos investimentos cujas poupanças não são suficientes para sustentá-los, nãohá como mantê-los sem distorcer ainda mais a estrutura de preferência temporale a alocação de recursos.

 

Embora aincompatibilidade de ativos e passivos seja maior em um sistema de reservasfracionárias, isto também pode ocorrer em um sistema de 100% de reservas, se otempo que o tomador leva para quitar o empréstimo, por exemplo, não forsuficiente para amortizá-lo e não houver como renovar o empréstimo. Em casoscomo este, se o credor e o tomador concordarem em renovar a dívida, o acordo ésustentável e não gerará ciclos.


O que intensificaos riscos e aumenta a possibilidade de maus investimentos e ciclos são asreservas fracionárias, mas principalmente as garantias do banco central (quetrazem um risco moral e induzem as instituições financeiras a assumir maioresriscos e maior alavancagem do que em um sistema bancário sem banco central). Enquantoexistam bancos centrais, os ciclos podem ocorrer tanto em um sistema dereservas fracionárias, quanto num sistema de 100% de reservas.


As reservasfracionárias facilitam as instituições financeiras a alavancar suas operaçõesaparentemente com menos risco. Mas a garantia de que os bancos centrais podemresgatá-los é o principal fator que incentiva estas instituições a tomardecisões insustentáveis, levando a uma grande alavancagem que não ocorreria emcondições normais.


Um exemplo de umacrise financeira ocorrida devido à incompatibilidade entre ativos e passivos éa da Islândia em 2008, que foi detalhada por Philipp Bagus e David Howden nolivro ‘Deep Freeze: Iceland’s Economic Collapse’ e nopaper ‘The Icelandic Meltdown’.  

 


André Marques 

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