Na entrevista dada ao site TheGoldReport Stephan Bogner, analista na Rockstone Research e CEO da Elementum International AG, explica porque se deve investir 100% em metais preciosos, tanto físicos como em ações, e ainda qual é o portefólio de investidor ideal.

Entrevista parcial, traduzida por Elementum Portugal

Fonte: Goldseek

“PORQUE É QUE O STEPHAN BOGNER ACREDITA QUE DEVEMOS INVESTIR 100% EM METAIS PRECIOSOS

Agora é o tempo de sermos corajosos, de comprar quando todos estão a vender, aconselha Stephan Bogner, analista na Rockstone Research e CEO do fornecedor de metais preciosos Elementum International. Satisfeito por remar contra a maré, Bogner acredita que os investidores devem apostar 100% nos metais preciosos, ambos em metais físicos e ações. Está interessado não só nas empresas que são rentáveis mas também naquelas que um dia irão estar novamente na escuridão. Nesta entrevista ao TheGoldReport ele descreve o seu portefólio ideal que engloba empresas a operar em lugares distantes.

TheGoldReport: Está mais otimista em relação à prata e ao ouro hoje mais do que na altura em que o bull market (mercado em alta) se iniciou nos metais preciosos há aproximadamente 13 anos. No entanto, o Banco Suíço, UBS, refere que o super-ciclo das commodities (matérias-primas) acabou.

Stephan Bogner: Estava bastante otimista em relação ao ouro e à prata em 2002 quando completei a tese do meu diploma universitário com o tema exótico “Ouro no Contexto Macroeconómico”. Estou ainda mais otimista hoje porque a macroeconomia não se alterou, piorou.

Os princípios básicos do ouro e da prata nunca foram tão otimistas como o são hoje. O dinheiro tem uma maior tendência para fluir no setor, visto que não há espaço para se esconder da crescente incerteza e excessos do nosso sistema financeiro e económico. A recente crise no Chipre veio demonstrar que o dinheiro já não está mais seguro numa conta bancária e, contudo, este cenário não produziu nenhum efeito na inflação.

TGR: Acha que o ouro provocou altas nos preços tal como você mesmo subestimou a habilidade dos maiores bancos mundiais e mais poderosos governos de controlarem o preço do ouro?

SB: O ouro e a prata são os únicos barómetros da saúde do nosso sistema monetário. Aqueles que pretendem manter o sistema atual poderão tentar manipular os barómetros de forma a que as massas interpretem mal a situação o maior tempo possível. Mas os preços não irão permanecer baixos por muito tempo; os princípios da oferta e da procura irão levá-los a serem apreciados. O Professor Dr. Hans Bocker, o orientador da minha tese universitária e um reconhecido especialista económico na Europa, enfatiza que nada nem ninguém é mais forte que o mercado.

TGR: De que forma é que os investidores deverão diversificar a sua carteira de investimentos perante esta nova ordem mundial?

SB: Liquidando todos os ativos disponíveis e deixar, pelo menos, 70% fora do sistema bancário adquirindo ouro e prata físicos e armazenando-os num cofre independente dentro de uma zona livre num país seguro.

Não aconselho ninguém a comprar ouro e prata em papel na forma de certificados, opções ou futuros. Estes são os mercados mais perigosos e os mais manipulados. Neles estão incluídos os ETF’s (exchange-traded funds). Não podemos ter a certeza que estamos realmente a comprar ouro e prata física com todo o dinheiro que colocou nos ETF’s ou que irá receber a barra física quando pretender vender. O Professor Bocker, que é também o Presidente do Conselho de Administração da Elementum, enfatiza que é crucial ter barras físicas de forma a sobreviver a futuras crises financeiras.

As ações mineiras encaixam muito bem numa carteira de investimentos composta por barras físicas. Você pode distribuir cerca de 70% dos seus fundos em barras através de um seguro de vida ou depósito de segurança e investir 30% dos seus ativos totais em ações mineiras, veículos que normalmente geram lucros exorbitantes durante o bull market (mercado em alta) do ouro e da prata.

TGR: E quanto ao dinheiro? Deixa-o quase sem liquidez no seu portefólio de investimento.

SB:  Eu considero os investimentos em ações mineiras equivalentes ao dinheiro. Pode vender parte das suas participações a qualquer momento e utilizar esse dinheiro de imediato.

TGR: O tamanho do mercado de ações dos metais preciosos não torna difícil entrar e sair e reduzir a liquidez de mercado?

SB: Deve diversificar e focar-se nas ações com liquidez de forma a que consiga retirar-se imediatamente sem muito “barulho”. Tenha uma diversificação saudável entre ações mineiras junior e seniores e alterne com frequência dentro do núcleo do seu portefólio de investimentos.

TGR: Quais são os princípios básicos da sua tese relativamente às ações de metais preciosos?

SB: Na Rockstone Research não analiso apenas os mercados em geral, analiso as ações mineiras junior e seniores. A exploração mineira proporciona possibilidades únicas para a obtenção de grandes lucros. Se souber um pouco de geologia, química, metalúrgica, tecnologia e do setor mineiro em geral, consegue identificar as ações mineiras que estão prestes a subir, independentemente dos preços subjacentes dos metais.

O preço das ações para uma pequena empresa de exploração com ótimos resultados de perfuração irá aumentar mesmo que o ouro esteja no bear market (mercado em baixa). Tenha em atenção que cada vez menos ações irão ser valorizadas até à próxima ascensão coletiva; muitos projetos e equipas de gestão não têm provado serem viáveis. Estas empresas irão sair do ramo de atividade e tornar o mercado um lugar melhor e mais consolidado do que era durante a última década.

Da perspetiva do investidor, conseguimos visualizar o atual e provisório bear market (mercado em baixa) como algo positivo porque apenas as melhores empresas irão sobreviver. Encontrar estas empresas antes de outros investidores as encontrarem pode ser uma oportunidade única. Agora é a altura para começar a comprar ações mineiras quando estas se encontram com elevados descontos e a preços baixos. Ganhe toda a coragem, vá lá fora e compre quando toda a gente estiver a vender como se não houvesse amanhã.

TGR: Qual é que considera ser a abordagem mais eficaz para comprar estas ações? Devem os investidores comprar em fases de queda e retrocesso?

SB: Sim, comprar em fases de queda e retrocesso é uma boa forma de embarcar num investimento. Se estiver com problemas num investimento, das duas uma ou pode tentar ser paciente e esperar por uma melhoria geral ou pode vender e comprar diferentes ações mineiras agora porque o mercado alterou-se seriamente nos últimos 7 meses. Originou valorizações absurdamente baixas de algumas ações mineiras que eu nunca compraria há 7 meses atrás. Não sou adepto da abordagem rigorosa “comprar e manter”, uma vez que os mercados globais, as expetativas e as oportunidades únicas mudam a qualquer momento. Vender algumas posições, mesmo que implique uma perda, para comprar outras que aparentam ser muito mais do que um bom negócio pode ser muito lucrativo.

TGR: Que histórias está a seguir?

SB: Numa altura de crise no mercado de exploração mineira, como a de hoje, com os preços reduzidos dos metais e com a maioria dos produtores a operarem sem lucro, os investidores, e serão cada vez mais, já favorecem não apenas as empresas de exploração mineira pouco lucrativas que são abandonadas mas também as ações mineiras com as seguintes 6 características: 1)têm uma administração experiente; 2) acções de companhias com elevada liquidez; 3) têm um nível avançado de exploração e/ou um projeto de desenvolvimento mineiro; 4) têm baixas despesas de capital (capex) para alcançar altas taxas internas de retorno; 5) têm depósitos de alta qualidade; 6) estão a operar na jurisdição de uma empresa mineira estável.

Stephan Bogner é um analista do setor mineiro em Rockstone Research, onde ele analisou de forma independente os mercados de capitais e os stocks dos recursos naturais por mais de 11 anos. É também o CEO da Elementum International AG da Suíça. Bogner licenciou-se em Economia em 2004 na International School of Management, em Dortmund, Alemanha. Esteve 5 anos no Dubai a trabalhar na área de corretagem e revenda de mercadorias físicas e atualmente reside em Zurique, na Suíça. “