“Schulte é um consultor financeiro, alemão, que aparece no cenário das grandes finanças a defender “o investimento em metais preciosos”, nomeadamente em ouro e em prata.

Tendo trabalhado na banca de investimento de 1999 a 2008, Schulte foi vice-presidente para Investimentos no DeutscheBank de Frankfurt e Director de Investimentos do DZ Bank , onde foi responsável por introduzir a prata e ouro como investimentos alternativos em 2003.

Em entrevista ao “Ideias em Estante”, o autor explica a razão pela qual acredita que, face à situação actual, “o investimento em metais preciosos é cada vez mais uma necessidade de protecção da riqueza pessoal e do património de cada agregado familiar.”

Porque é que considera que o investimento em metais preciosos é um bom investimento?

Faz todo o sentido investir em ouro e prata. O ouro e a prata oferecem uma protecção contra o rebentamento da bolha de crédito. E, de momento, não estamos na iminência de uma bolha do ouro e da prata.

Nas últimas semanas e meses tenho ouvido, por parte de muitas pessoas, que os preços do ouro e da prata têm subido muitíssimo nos últimos anos e que já nos encontramos numa bolha. Quanto a isto, posso dizer-lhes que o valor da prata extraída em 1980 representava 14% dos activos globais, ou seja, 14% do valor de todos os empréstimos, obrigações do estado, obrigações bancárias, obrigações das empresas e de toda a massa monetária. Actualmente essa percentagem ascende a meros 0,7%.

Se analisarmos a situação do ouro da mesma forma, o valor de todo o ouro ascendia em 1980 a cerca de 25% dos activos globais. Verificamos, portanto, que estamos longe de uma bolha do ouro e da prata. E eu quero explicar às pessoas por que é que a prata é o melhor ouro e por que é que a prata se adequa excepcionalmente a salvaguardar o património. Isto prende-se sobretudo com o facto de a prata, ao contrário do ouro, ser utilizada massivamente também na economia real. Não quero falar a favor de um metal precioso que apenas possui um valor material, mas sim encorajar as pessoas por um metal precioso que é aplicado em inúmeros sectores da economia real.

Refiro-me, a título de exemplo, à indústria automóvel. Este é um aspecto interessante que eu abordo no livro, ou seja, que a prata é consumida, enquanto o ouro é guardado. Cerca de metade de toda a prata extraída pelo Homem ao longo da história perdeu-se, porque foi utilizada na indústria ou ficou depositada no solo, no fundo dos oceanos, enquanto quase todo o ouro extraído ao longo da história continua a existir. Isto já demonstra de forma clara onde estão as oportunidades em relação à prata.

Foi difícil convencer “a banca” a investir em ouro e prata?

Quando em 2001 e 2002 comecei a comprar ouro e prata, era impossível falar disto no ‘trading floor’ de um banco de investimento, pois rapidamente nos tornávamos alvo de chacota. E não apenas junto dos colegas, mas sobretudo junto dos chefes.

Mesmo quando falava sobre isto com os clientes ou administradores de bancos, ninguém queria acreditar em mim. Foram poucos os que, na altura, seguiram o meu exemplo em 2001, 2002 e 2003, e note-se que se trata aqui de administradores de bancos. Na altura disseram-me que eu realmente apresentava argumentos interessantes relativamente ao ouro e à prata serem investimentos interessantes, e que iriam seguir o meu exemplo. No entanto, eu não poderia comentar nada sobre “essa compra” por parte dos administradores do banco. Isto demonstra muito bem o ambiente que se vivia na altura.

Admito que, hoje em dia, já várias pessoas compram ouro e prata, mas se forem ao mercado, aqui em Lisboa, e perguntarem às pessoas, perante o cenário iminente de uma alta inflação, como pretendem salvaguardar o seu património e proteger-se contra a inflação, muitos, mesmo muitos dirão que compram o ouro de betão, ou seja, imóveis. Alguns dirão que compram ouro, mas muitos, muitos menos, penso mesmo que praticamente ninguém dirá, “Eu compro prata”.”

Notícia disponível no site da Associação Portuguesa da Indústria de Ourivesaria

Fonte: Económico